FELIZ DIA INTERNACIONAL DA MULHER – DIA DE LUTA


O dia 08 de março é o Dia Internacional da Mulher, um dia de comemoração e também de Luta. Que as mulheres sejam homenageadas no dia de hoje, mas que também possamos refletir criticamente sobre uma sociedade ainda estruturada no machismo. Que as mulheres recebam flores, mas que, principalmente, recebam reconhecimento e respeito neste dia e em todos os outros dias do ano.

Precisamos, inclusive, lembrar do porquê dessa data, que ao contrário do que se impõe como data comercial, tem sua origem no movimento das mulheres por direitos iguais. No início do século XX se intensificou as reivindicações das mulheres, sobretudo das trabalhadoras das fábricas têxteis sobre seus direitos e foi Clara Zetkin que durante a II Conferência Internacional das Mulheres (1910) propôs a organização de um dia especial para as mulheres em prol dos direitos das mulheres e contra o patriarcado[1]. Tal reivindicação se tornou ainda mais importante um ano depois quando em 25 de março de 1911 um incêndio em uma fábrica em Nova Iorque matou 125 mulheres que trabalhavam em condições insalubres. A luta por condições dignas de trabalho não se restringia aos Estados Unidos, também países da Europa e a Rússia organizavam manifestações, sendo reconhecido como um marco a greve das operárias da indústria têxtil contra fome, ocorrida em 08 de março de 1917 na cidade de Petrogrado (hoje São Petersburgo/Rússia). Em 1975 a Organização das Nações Unidas (ONU) oficializou o dia 08 de março como o Dia Internacional da Mulher.

Não podemos enxergar essa data como um nicho de mercado, uma data na qual é ressaltado estereótipos que mais prejudicam a mulher do que a enobrecem, ou seja, não podemos esvaziar o conteúdo histórico e político desta data a tornando uma data inofensiva. Resgatar a história é reconhecer que é uma data, um dia e um mês de Luta para a igualdade de gênero, sobretudo por constatarmos que a realidade social para a mulher continua a ser preconceituosa e desigual. Homens e mulheres possuem sim diferenças, contudo, tais diferenças não podem ser transformadas em desigualdades. As mulheres são diversas e têm o direito de fazerem o que desejarem sem que isso seja determinado por repressões de gênero. Infelizmente, ainda passa no imaginário social que existe lugares e tarefas específicas para homens e mulheres, sendo que – por base patriarcal machista – a mulher deve sempre servir ao homem. Equivocadamente se naturaliza que a mulher deve ser submissa ao homem.

Tal pensamento é prejudicial a todos, em especial, para as mulheres, este pensamento “legitima” a ideia de posse, na qual alguns homens acreditam que suas mulheres são sua propriedade, têm direito sobre a vida delas. Essa ideia de posse, por sua vez, ocasiona a maioria das violências contra as mulheres que sofrem psicológica e fisicamente em seus relacionamentos. No Brasil, segundo dados oficiais dos canais de denúncia “Disque 100 e Ligue 180”, tivemos 12 denúncias por hora em 2020, ou seja, foram ao todo 105.821 denúncias de violência contra mulher no ano passado. Dados sobre o Feminicídio[2] também são alarmantes, segundo dados das Secretarias Estaduais de Segurança, em 2020, por dia, pelo menos três mulheres foram mortas pelo simples fato de serem mulheres.

Que essa data seja referência para as mulheres em movimento, mulheres que fazem ecoar suas vozes, lutando por seus direitos, por igualdade de gênero e resistindo e garantindo a sustentabilidade da vida. Que possamos problematizar o privilegio masculino, garantindo um mundo mais justo e sem preconceitos e/ou barreiras para a realização do ser humano – independente do seu gênero – em sua plenitude. Que as mulheres e a sua potência não sejam invisibilizadas.

Feliz Dia Internacional da Mulher e abaixo o machismo!!!

[1] Patriarcado é um sistema social em que homens mantêm o poder primário e predominam em funções de liderança política, autoridade moral, privilégio social e controle das propriedades. No domínio da família, o pai mantém a autoridade sobre as mulheres e as crianças. [2] O feminicídio foi tipificado como crime por meio da Lei nº 13.104 de 2015. É enquadrado como feminicídio o assassinato de uma mulher pelo simples fato de ser mulher.

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