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Projeto “Um Livro Por Mês”#Março – “Sejamos Todos Feministas” de Chimamanda Ngozi Adichie


O projeto “Um Livro por Mês” segue firme em 2021. Após o recesso de janeiro, trabalhamos em fevereiro o livro “Pedagogia do Amor” do autor Gabriel Chalita. Este livro foi indicado por uma de nossas colaboradoras do IGEVE de Guaianases e nos fez viajar nas histórias que são retomadas por Chalita e refletirmos sobre os valores humanos. Nossa videoaula realizada em 24 de fevereiro já teve mais de mil visualizações. Em março aproveitando a esteira que comemora e elege o mês como sendo de luta das mulheres por igualdade de gênero (veja mais em https://www.igeve.org/post/feliz-dia-internacional-da-mulher-dia-de-luta), escolhemos o livro “Sejamos Todos Feministas” da autora nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie.

A autora é considerada uma das mais importantes jovens escritoras da atualidade, possui vários livros publicados e premiados, o que escolhemos “Sejamos Todos Feministas” (2015) aborda de forma narrativa o debate sobre o feminismo e a sua necessidade. Chimamanda alerta que o tema de forma equivocada é mal visto e infelizmente sofre forte preconceito, sendo até mesmo comparado ao “terrorismo”. Inclusive na primeira parte do livro a autora se intitula como sendo uma “feminista feliz e africana que não odeia homens, e que gosta de usar batom e salto alto para si mesma, e não para os homens”. Tal autodescrição serve, de forma ácida e com humor, para desmistificar falsas compreensões acerca do que é ser feminista, ou seja, por vezes a postura política e de luta pela igualdade de gênero é difamada como sendo infelicidade feminina, falta e/ou ódio aos homens e até mesmo características estéticas subjetivas. A verdade é que o feminismo é um movimento de luta pelo direito das mulheres a um mundo mais justo e que as mulheres, assim como o feminismo são plurais.

O livro é uma versão modificada da palestra proferida por Chimamanda no TEDxEuston em 2012 e conta como a autora foi se descobrindo feminista e percebendo a estrutura machista tanto de seu país de origem (Nigéria) como de outros lugares no mundo, em especial, nos Estados Unidos, onde mora. A autora relata situações de sua história de vida, cenas cotidianas que podem ser problematizadas como sendo parte da vida de todas as mulheres, ou seja, o privilégio masculino, as determinações ao “universo feminino”, as barreiras e desigualdades no campo educacional e profissional e todas as desigualdades de gênero que ainda se fazem presentes e que precisamos superar.

É interessante fazermos o exercício de percepção da realidade cotidiana e seus traços sociais oriundos de estruturas muitas vezes preconceituosas como o machismo e o racismo. Para se ater especificamente ao tema proposto no mês (machismo) narro uma situação que aconteceu comigo e que – como as narrativas de Chimamanda – confirmam que vivemos ainda em uma sociedade machista. Sou casado e recentemente tive um filho (há 7 meses) a paternidade em comparação com a maternidade e o que é esperado pela sociedade de ambas por si só já poderiam confirmar as imposições de gênero, mas falemos de algo mais “trivial” e cotidiano.

Certo dia saímos os três e minha esposa teve um compromisso e ficamos eu e meu filho, resolvi ir ao mercado enquanto a aguardava, a experiência de perceber os olhares direcionados a mim e ao meu filho no mercado é intrigante, pois tive a impressão que me olhavam com um misto de desconforto e piedade, como se aquela cena fosse anormal, afinal “cadê a mãe dessa criança? ” A violência não foi direcionada contra mim, mas era uma violência simbólica quanto ao papel atribuído a homens e mulheres, na qual qualquer mudança de roteiro é extremamente desconfortável. Pensei: e se fosse minha esposa sozinha com ele? Nem precisei ir longe, pois logo avistei uma mulher também fazendo compras e com um bebê e percebi que tal situação se quer chamava a atenção devido a “normalidade” atribuída a ela. Vemos que nossa sociedade ainda naturaliza a postura e possibilidades a partir do gênero.

Com a leitura do livro queremos contribuir com tal reflexão e sabendo que a maioria de nossos colaboradores são na verdade colaboradoras, reconhecer a importância da mulher para a nossa sociedade. Iniciaremos a postagem no dia 08 de março que é o Dia Internacional da Mulher e remete ao debate sobre igualdade de gênero e faremos a nossa videoaula em 31 de março (quarta-feira) e como abordaremos o cotidiano e o debate no feminismo, essa videoaula será especial e teremos uma convidada, a mulher que me apresentou a obra de Chimamanda. Contaremos com a professora Juliana Gomes Santos da Costa que é minha esposa, mas antes disso, é uma mulher, feminista, professora e pesquisadora. Venha conosco, leia Chimamanda e participe de nossa videoaula.

IGEVE aqui se incentiva à leitura!!!

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