Dia Mundial de Prevenção do Suicídio


O mês de setembro nos remete ao fim do inverno e começo da primavera. É tempo de brotar e florir. Também dedicamos esse mês para a campanha “Setembro Amarelo” que nos faz refletir sobre o suicídio. No Brasil o “Setembro Amarelo” é uma iniciativa da Associação Brasileira de Psiquiatria em parceria com o Conselho Federal de Medicina para a conscientização quanto à gravidade do problema e para a ajuda às pessoas que precisam. Através do Centro de Valorização da Vida (CVV), organização social, temos um canal (telefônico) de atendimento e prevenção ao suicídio, recebendo ligações gratuitas de todo o país através do número 188. A ideia principal é a da escuta ativa e orientações para as pessoas que precisarem.

Nesse mesmo caminho o IGEVE orienta aos seus colaboradores para apoiarem a comunidade atendida em suas unidades escolares, assim como estabelece canal direto e acolhedor de comunicação com seus funcionários, a fim de construir uma corrente de diálogo e um clima que seja propício para mediação de conflitos, assim como atendimentos individuais para solução de problemas.

O Brasil é signatário do Plano de Ação para Saúde Mental 2013-2020 da Organização Mundial da Saúde (OMS) que busca ampliar ações voltadas ao atendimento à problemas de doenças mentais. O suicídio figura como sendo o trágico fim para problemas mentais não tratados. Apesar de ser um tabu e de acharmos que tal temática/tragédia está distante de nós, precisamos compreender que é uma realidade que nos ronda. Não podemos ficar indiferentes a segunda maior causa de mortes no mundo entre jovens de 15 a 24 anos (segundo relatório OMS, 2016). Isso não se restringe apenas aos mais jovens, esse ano (2020), infelizmente, perdemos o grande ator Flávio Migliaccio que aos 85 anos se suicidou. O ator deixou uma carta se queixando de como a velhice é tratada e afirmando “A humanidade não deu certo”. Frase forte que pode ser refutada, mas sobretudo, chamamos a atenção para a reflexão sobre tal afirmação.

Será que não demos certo como humanidade? Precisamos ir em busca dos porquês para a aceitação ou negação a tal afirmação. De fato vivemos em um mundo extremamente desigual, no Brasil dados do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) apontam para uma concentração de renda exorbitante, sendo que o país tem a segunda maior concentração de renda do mundo, tendo um terço das riquezas do país concentradas na mão dos 1% mais ricos. No mesmo relatório o Brasil aparece na posição 79 no ranking do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) que tem como base indicadores da saúde, educação e renda. Obviamente, que a “humanidade” a qual se referia Migliaccio não se reduz a dados estatísticos do IDH, mas esses também nos remetem à reflexão.

A pressão que o cotidiano nos impõe por conta de uma lógica do “sucesso”, da “vitória” faz com que problemas de saúde (biopsicossociais) sejam cada vez mais presentes em nossas Vidas. Se pudéssemos separar e concentrar apenas nos psicológicos teríamos ainda o problema do não reconhecimento. Apesar de estudos e da realidade contemporânea apontar para a seriedade de ações voltada à saúde mental, ainda existe muito preconceito ao reconhecimento e tratamento de doenças que afetam nosso psicológico. Portanto, se faz necessário compreender a saúde - conforme defendido pela OMS - como biopsicossocial, logo, de forma integrada, ou seja, os problemas de saúde pública não se restringem aos biológicos/físicos.

Precisamos reduzir as desigualdades, precisamos repensar o modo de vida e, sobretudo, precisamos ser melhores como seres humanos, não podemos esquecer que nossa espécie tem por característica o pertencimento a um grupo, a formação cultural que é tão importante quanto a biológica para os seres humanos, nos impõe a necessidade de conviver, “Viver Com”. Compreendemos o grande Migliaccio, mas acreditamos que ainda há tempo e, como na música homônima do cantor Criolo (Ainda Há Tempo), acreditamos que “As pessoas não são más, elas estão perdidas”. Então, que nós como seres humanos possamos defender a humanidade e fazer que ela dê certo, sendo a “bússola” que orienta aqueles que estão perdidos.

O IGEVE valoriza a VIDA

27 visualizações0 comentário

Posts recentes

Ver tudo